quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Serra abaixo, sobre trilhos - Expresso Serra Verde

A decoração luxuosa e o serviço de bordo caprichado são experiências extras no passeio de trem até o litoral. 

Morretes - Sentados nas poltronas aveludadas e diante de belos lustres, pequenas mesas e cortinas, que remontam aos refinados cenários do século 17, a viagem começa. Devagar e com pouco barulho, o trem parece deslizar sobre os trilhos como se pedisse licença para invadir, com cuidado, a Mata Atlântica paranaense.

É assim, suave e com requinte, o passeio de Curitiba a Morretes com o trem de luxo Great Brazil Express, que corta a região metropolitana da capital e segue pelos municípios de Pinhais e Piraquara. 

A viagem de três horas começa com surpresa ainda no embarque. Por fora, é um vagão de trem comum, com 19 metros de comprimento, 2,8m de largura e 4m de altura, cor prata reluzente, com janelas arredondadas. Mas, basta entrar no carro Foz do Iguaçu – com decoração inspirada na flora e fauna brasileiras – para os séculos passados se desenharem na frente do passageiro. A artista paranaense Karla Kozaki assina as obras com temas da Mata Atlântica. 

O vagão ainda tem pinturas da bisneta de Dom Pedro II, Ana Beatriz Valente.
No ritmo exato para que a paisagem seja apreciada e boas fotos saiam sem pressa, a litorina segue devagar, com velocidade de 25 km/h. Os 110 km de extensão da ferrovia são detalhados em explicações de guias bilíngues, enquanto o passageiro degusta um espumante ou um lanche caprichado, com croissants e torta de limão. Nesse deleite, a viagem segue. São 30 km de descida em uma estrada bastante sinuosa e inclinada, que conta com 400 pontes e 13 túneis. Esses garantem momentos interessantes da viagem, com passagens apertadas em paredes de pedra e a escuridão completa. O túnel mais extenso é o da estação Roça Nova, com 452 metros. 

Paisagens

No começo do passeio, as araucárias de Piraquara são as primeiras a aparecer no caminho. Depois, a litorina passa pela Estação Banhado e cruza o Rio Ipiranga. Ali perto, fica a Cruz do Barão, onde foram fuzilados o Barão do Cerro Azul (Ildefonso Pereira Correia) e seus companheiros, acusados de colaborar com a revolução federalista.

Um pouco mais adiante já dá para ver o gigante Pico Marumbi. O conjunto de belas montanhas, que pode ser visto ao longe durante a parada no mirante do Santuário do Cadeado, é um dos pontos mais bonitos do passeio.
Depois desse trecho, as curvas ficam ainda mais intensas: um verdadeiro zigue-zague contorna as montanhas. Outro destaque é a Ponte São João (1884), no ponto mais alto do trecho, com 58 metros de altura e 113 metros de extensão. As 470 toneladas de aço repousam, imponentes, no meio do verde da Mata Atlântica.

Em alguns trechos, em que os trilhos de ferro estão fixados em verdadeiros despenhadeiros, a sensação é de flutuar sobre a Serra do Mar. Um desses momentos acontece quando o trem passa pelo Viaduto Carvalho, com mais de 900 metros de altura, 95 metros de extensão e curvatura de 45 graus.
Há tanto o que ver e apreciar que a viagem passa rápido e logo é hora de desembarcar em Morretes. A terra do gengibre e da banana e suas vizinhas litorâneas reservam outros bons roteiros. 

Antonina da Serenata

A pacata Antonina tem pouco mais de 17 mil habitantes e um dos carnavais mais animados do estado. Fora da época de folia, vale conferir edificações históricas como a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, construída em 1715, de onde é possível ver o Porto de Paranaguá do outro lado da baía e o casario de arquitetura luso-brasileira. O último sábado do mês é dia de justificar o título de “cidade das serenatas”. Nas casas onde há placas com nomes da música favorita do morador (Maringá, Lua Branca, Deusa da Minha Rua, Pela Luz dos Olhos Teus, Fascinação), os seresteiros param para cantar nas noites de serestas.Para bons momentos de banho e pesca, a Prainha, ao lado da Ponta da Pita, tem águas calmas e rasas. 

Mas a Baía de Antonina também é um bom lugar para os aventureiros. Programas como escaladas no Pico do Paraná (local mais alto do Sul do Brasil) ou prática de rafting nas corredeiras do Rio Cachoeira são só algumas das opções.Na gastronomia, a cidade divide com Morretes a fama do barreado. O Buganvil Restaurante oferece a versão mais típica do prato, por R$ 20,90 por pessoa ou R$ 26,90, com frutos do mar. A casa fica bem perto do Camboa Capela Hotel. O lugar, que dá vista para a baía, tem belas instalações, com destaque para a sala especial de café: uma antiga casa de pedra com paredes centenárias.

Banana, gengibre e história

A recepção na estação de Morretes já dá pistas do tom da visita: vai ter bastante comida no roteiro. Vendedores oferecem diversos produtos à base de banana e gengibre. E o circuito de restaurantes tem o tradicional barreado, carne cozida por 12 horas, servida com farinha de mandioca. No restaurante Villa Morretes, o prato típico sai por R$ 25,50 por pessoa. Com frutos do mar, sai por R$ 33,90.A cidade de quase 17 mil habitantes tem um belo casario colonial, com quatro imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico Estadual. A Igreja Nossa Senhora do Porto, no ponto mais alto da cidade, foi construída de 1812 a 1854. Bem preservada, ela ainda tem o relógio e o sino da época da inauguração, ambos em funcionamento. 

Na Praça dos Imigrantes, o jardim bem cuidado compõe um belo cenário com o coreto, hoje ocupado por dançarinos de fandangos em apresentações nos finais de semana.Depois de tomar um sorvete (de banana ou gengibre, é claro!) nas mesinhas voltadas para o Nhundiaquara na Praça Lamenha Lins, a visita ao Instituto Mirtillo Trombini pode ser um bom passeio para conhecer sobre a história e as obras de arte dos artistas locais.Os aventureiros podem curtir as atividades radicais do Rio Nhundiaquara, como a descida de canoagem. São 3 km na corredeira, percorridos em 1h30 (R$ 40 por pessoa). Vale lembrar que, em alguns momentos, o rio fica bem raso e pode fazer com que o aventureiro encalhe com facilidade. É bom ficar atento e sempre na cola do guia.

Bela ilha em alto-mar

A maior ilha do litoral paranaense tem 2,7 mil hectares de mata preservada, cercada de praias e manguezais, em um conjunto variado de opções de lazer. Além das praias – Encantadas, Farol das Conchas, Fortaleza e Nova Brasília – , há costões, trilhas, matas, morros e mangues. Esportistas também podem praticar surfe, trekking, canoagem, vela e pesca . Uma das novidades é o passeio de barco (R$ 120 por pessoa). Com embarcaçõ es flex boat (as mesmas utilizadas pelo Macuco Safári, nas Cataratas do Iguaçu), o roteiro vai de Morretes até a Ilha do Mel, passando por várias ilhas da região. A travessia demora 50 minutos, com a chance de observar botos no meio do caminho. Na ilha, a dica é começar pelo Farol das Conchas e ter uma visão panorâmica da região. Na hora de comer, vale conhecer o cardápio do Mar e Sol, na Praia do Farol. Mas cuidado com o Júnior. O papagaio nativo adotou o restaurante e circula solto entre os clientes. Quando gosta de alguém, não sai do ombro da pessoa.

Comentários: eu fiz este passeio com Andréa e tenho muitas fotos, foi maravilhoso!!! Recomendo, mas com a seguinte ressalva: SÓ VÁ SE HOUVER SOL!!! Muito sol. Em templo nublado é horrivel para visibilidade e para as fotos além de fazer frio na serra. Verifique antes a previsão do tempo, digite clima tempo curitiba, no Google e o primeiro que aparecer é o melhor.
Algumas fotos que tirei num domingo nublado:





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Tenho mais fotos, inclusive em Morretes, no ponto final, mas estou evitando colocar fotos com pessoas na Internet, apenas de locais. Abração, Dalton

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